A vida privada a céu aberto

A vida privada a céu aberto

Cynthia Magluta

ISBN - 978-85-65375-38-2

1ª edição, 2016

Formato:

Brochura com orelha 14x21 cm

78 páginas

Livro impresso

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Ebook Kindle

Sinopse

A vida privada a céu aberto agrupa um conjunto de contos elaborados a partir da observação sensível do cotidiano. A vivência que aflora das narrativas de Cynthia Magluta deixa-se atravessar pela memória, pelas artes, pelas relações familiares, pelo conhecimento do corpo, pelos encontros de vizinhança e pela inevitável indignação diante da cidade e de suas políticas, entendidas, aqui, de forma bem ampla, como as diversas e contraditórias ordens com que a polis submete seus cidadãos. As histórias falam de experiências urbanas do Rio de Janeiro contemporâneo, que ganham conotações públicas, até quando concentradas em contos que refletem a intimidade do sujeito, como o da personagem que desliga-se do tempo da cidade na fruição de um banho.

Todos esses temas são organizados no livro em duas grandes partes, que, apesar de não nomeadas no sumário, podem levar a pensar no desdobramento do próprio título. De um lado, a vida privada, na qual predomina a reflexão sobre as relações familiares, sobre a intimidade e o corpo; de outro, a céu aberto, parte em que ganham ênfase as questões da vizinhança e da esfera pública.

Dois aspectos se ressaltam na visível estrutura do livro. O primeiro é que a separação impede uma forte e tradicional compreensão da cultura brasileira em que se dá o atravessamento entre as esferas pública e privada. Tratar as questões da vizinhança como de interesse público é fugir a um clichê literário e social marcado pela fragilidade dos mecanismos da ordem pública. Embora essa fragilidade também seja denunciada nos contos de Cynthia, há uma sobriedade em fazê-lo que coloca as narrativas da autora em um lugar especial da cena literária carioca.

O segundo aspecto a se destacar, opondo-se ao primeiro, funciona como elo entre as duas partes e talvez represente uma coincidência entre a proposta literária e a biografia da autora. Cynthia Magluta é médica sanitarista. Embora não se explicite, o que unifica suas leituras da vida urbana é certa percepção de saúde, que o leitor deve levar em consideração. Não a saúde como é formalmente defendida nos hospitais, clínicas e consultórios, públicos e privados. Uma canção de Rita Lee poderia nos ajudar na aproximação dessa forma de compreender a ideia de saúde. “Me cansei de lero-lero / Dá licença, mas eu vou sair do sério / Quero mais saúde / Me cansei de escutar opiniões / De como ter um mundo melhor”. A letra da canção fala de uma pulsão de vida, de um erotismo que está mesmo no âmago da compreensão da experiência urbana que a leitura de Cynthia Magluta permite.

Essa dupla leitura se explicita também no conto intermediário do livro. Entre as duas partes, uma única narrativa se interpõe. Chama-se “Desejo”. Numa referência indireta ao desabamento de um prédio, na rua Treze de Maio, no centro do Rio, o narrador se põe em dois lugares simultâneos, o que preserva os próprios sentimentos e aquilo que os atiça, necessariamente a cena trágica provocada pelo sofrimento anônimo e coletivo.