Sutur

ISBN - 978-85-65375-52-8

1ª edição, 2018

Formato:

Brochura com orelha 12x18 cm

66 páginas

R$ 30,00 - frete para o Brasil incluso .

Sinopse:

As definições da poesia são várias, demandam uma série ininterrupta de percepções e inovações, que vão desde o corte rítmico ao corte visual em proveito do sentido – nem sempre tangível do poema. Em Sutur, o poeta Cândido Rolim apresenta, para além da acuidade com que enxerga a realidade, uma densidade cujo desdobramento se dá na forma com que trabalha seus poemas.

Se assíntota é linha que se aproxima indefinidamente de uma curva sem jamais cortá-la, a palavra do poeta retransfigura a definição e nos entrega, mais que um modo de operação de suas poesias, a definição que permite ao leitor buscar, nos cortes operados, um sentido oculto que se desvelará na percepção do leitor como construção das relações do espaço e do tempo. Senão veja-se:

ASSÍNTOTA

linha que se

aproxima

indefinidamente de

uma curva sem

jamais

cortá-la

O isolamento dos verbos aproximar e cortar, entre o curvo e o reto, acerca-se e dá destaque ao modo de operação dos poemas do livro. Neste entre-lugar, o poema cria como que uma terceira possibilidade que não é nem o curvo nem o reto, nem mesmo o modo de operação do pôr o mundo a nu, mas o próprio do mundo repovoado. Essa técnica, no sentido mesmo de arte, possibilita que se desdobrem inúmeros modos de aproximação com o sentido e inaugure possibilidades inovadoras de participação e confecção das suturas expostas pelo poeta.

Veja se, por exemplo, este outro poema – “Sábado” –, cuja ironia, cáustica, por sua mínima lírica, faz retroceder toda constatação da ação humana a uma “qualidade negativa” preenchida dos vazios em que a propulsão dos afetos não encontra respostas afetivas, como se o sujeito da ação afetiva se permitisse um não-lugar à satisfação dos desejos e o transmudasse em outro móbile que se conformasse, ao sabor dos ventos, ao que possa ser apreendido como objeto do desejo. Em outras palavras: o vazio a ser preenchido só se opera a partir da falta.

SÁBADO

Homens acariciam

carros

O modo de operação dos poemas vai se construindo aos poucos, complementando ao longo de todo o livro esse primário dizer que faz com que a poesia de Cândido Rolim se mostre necessária e pulsante frente a este mundo de construções falseadoras do real, por ele, mundo, se contentar com a repetição do mesmo. Se o mundo opera com o preenchimento dos vazios pela positividade dos sentidos, a falta desta positividade, em Rolim, pressupõe seu preenchimento a partir dos desdobramentos dos vazios em mais vazios; como os móbiles de Calder, a construção da poesia de Sutur se mostra na configuração do momento de leitura. O que, aliás, é mais do que necessário no panorama da literatura contemporânea.

Oswaldo Martins


"Sutur é uma reunião de poemas feitos nos últimos anos, desde minha última publicação em 2008.

A presente publicação só foi possível graças à paciência e o incentivo dos poetas e editores Oswaldo Martins e Alexandre Faria, contando ainda com a contribuição inestimável do poeta Ricardo Pedrosa Alves que, já há algum tempo, convive criticamente com os textos o que o torna de certa forma responsável pela seleção dos mesmos."

Cândido Rolim