oourodooutro

oourodooutro

Alexandre Faria

ISBN 978-85-65375-48-1

1ª edição, 2018

Formato:

Brochura com orelha 12x18 cm

108 páginas.

R$ 35,00 - frete para o Brasil incluso


Sinopse

O livro reúne poemas que cobrem 26 anos. Muitos deles foram publicados originalmente em blogues e sites, ou mesmo no Facebook. A decisão de reuni-los em livro deveu-se ao recrudescimento de ações autoritárias, com a intransigência e o conservadorismo que vão crescendo no Brasil.O livro quer se uma ação que se oponha à maneira pouco reflexiva como questões sérias e complexas da sociedade passaram a ser objeto de disputa de opiniões, quase sempre agressivas e violentas, mas sem disposição para enfrentar os problemas com a complexidade de um pensamento que aborde as contradições e as dificuldades que lhe são inerentes.

Os poemas não apresentam claramente uma posição partidária. Refletem mais as complexas contradições da sociedade brasileira. Apesar da extensão temporal do período de criação dos poemas, o livro guarda uma unidade, quer pelo aspecto temático, quer pela maneira como torna central a questão da alteridade. Daí o título, oourodooutro, que, se por um lado remete ao processo de exploração colonial do Brasil, por outro indica esse valor especial que existe na alteridade, mas sem negar a dificuldade que é minerá-la. Os poemas, então, vistos no conjunto, assumem várias vozes, ora de oprimidos, o pobre, o índio, o negro, a mulher, ora de opressores, dentre os quais não deixa de estar o próprio poeta e escritor que se dispõe a representá-los, com uma linguagem inevitavelmente demarcada como branca, masculina, heteronormativa, que caracteriza a tradição literária brasileira. Isso expõe as contradições e cria uma espécie de mosaico polifônico.

A orelha de Fernanda Vivacqua, mapeia essas questões no interior do livro, chamando atenção para os desafios que ele enfrenta, também, no panorama de alguma poesia brasileira contemporânea, quase sempre voltada "para o próprio umbigo dos poetas.

Visualmente, o livro busca uma linguagem mais suja, mais e sujeita a interferências gráficas. A edição obtém esse efeito (que o próprio título representa por juntar tudo numa única palavra) através do desrespeito às margens, à mancha gráfica e ao próprio limite da página. Além disso, incluí manuscritos que seriam capazes de criar esse efeito visual, mas que também dialogam tematicamente com o livro.